"Se não passou no Jornal Nacional, não aconteceu." Esta frase lapidar, que reflete o poder "global" na opinião dominante no Brasil, é simplesmente de Antônio Carlos Magalhães, o ACM, talvez o maior mas não o único dos coronéis que retransmitiam em seus canais locais a programação da emissora carioca. A tríade coronéis + Rede Globo + ditadura militar forjou a tragédia que é o jornalismo brasileiro** hoje em dia, com reflexos inclusive no esporte: quem era independente ficou pelo caminho, os bajuladores oportunistas se deram bem.Por isso não causa surpresa a repercussão dada aos favorecimentos recebidos pelo mais ajudado. No caso do campeonato carioca, detentor dos juízes de qualidade mais rasteira do Brasil, foram eles quem decidiram os finalistas da Taça Rio: em uma semifinal, com erros grotescos para os dois lados (um pênalti não convertido acabou "desequilibrando os erros"), enquanto em outra, errando todas pro mesmo lado (adivinha pra quem...). Eis que surge um piadista, irmão de um certo jogador de basquete que dizia ter vergonha de jogar em seu país, e faz da cobertura do jogo a maior piada de todas: mostra um gol mal anulado e diz que foi bem anulado, um pênalti mal marcado e diz que foi pênalti, faz gracinha com um pênalti de verdade "ignorado" e ainda ironiza a torcida do time garfado. Isso em pleno Fantástico. Pronto: está definida nacionalmente a opinião reinante. Pra fazer chacota de um tragédia tem que ter muita cara-se-pau. Ou ser muito puxa-saco, não é Seu Tadeu?

* O prêmio Puxa-Saco de Urubu foi criado para eternizar todas as atitudes que têm como objetivo bajular a torcida mais numerosa, e dessa forma se tornar mais "popular". Recurso muito utilizado por grupos musicais sofríveis e atores desatalentados em início de carreira na Globo, tem compromisso sempre com as maiorias, e não com o clube A ou B. Ou seja, se fosse o Olaria o time com a torcida mais numerosa eles fariam tudo da mesma forma, mas puxando o saco do time azul e branco suburbano...
** Existem raras exceções, como se pode ver aqui.

